domingo, 23 de março de 2014

Earth and Oribus: Love and War Capitulo 4

Acordei na manha seguinte, ouvi o Jordan a tirar o lençol.
-Está na hora de acordar Sunshine. – Vi que o Ian já ali não esta com o computador, vi apenas um papel com o meu nome: “Joana obrigado pelo beijo e o abraço, Espero ter mais. Amo-te, Ian”. Dobrei o papel.
-O que é isso? – Perguntou o Jordan.
-Nada. – Respondi logo, ele saiu e eu arrumei a nota debaixo da almofada.
Eu adormeci com a roupa do dia anterior, mudei por outra e sai para tomar o pequeno almoço.
Vi um monte de gente há volta da mesa, parecem muito animados.
-O que se passa? – Perguntei ao aproximar-me, vi que há pai, sandwiches feitas, café, leite com chocolate, cereais, bolachas e outras coisas. De onde veio isto tudo de repente?
Vi o Kyle e o Ben a serem aplaudidos, fui ao pé deles e perguntei:
-Vocês sabem de onde apareceu tudo isto?
-Sim, fomos nós e o Ian. Partimos ás seis da manha e encontramos isso perto de um carro de oribianos. Não fizemos nada de especial. – Disse o Kyle a sorrir, eu senti um arrepio.
-Não, o Ian magoo-se porque o oribiano tentou matá-lo mas nós impedimos e acabamos por matar o oribiano. – Disse o Ben mais sério.
-O Ian magoo-se? – Perguntei assustada e afastei-me a correr para a barraca dele, não esperei pela resposta dele e fui até ao Ian.
Entrei sem bater, ele viu-me, não me esperava e virou-se de costas para mim.
-Credo que susto. Devias ter batido à porta. –Não liguei ao que ele disse e fui até ele preocupada e assustada com o que posso ver a qualquer momento.
-O Kyle e o Ben contaram a loucura que vocês foram fazer, disseram que te magoaste. Deixa-me ver isso. – Ele tentou tapar o braço mas eu não deixei, vislumbrei um corte no ante-braço esquerdo, não é muito grande e profundo mas é o suficiente para dar uma dor de cabeça.
-Isto não é nada. – Disse ele, eu olhei para si.
-É sim. Ficaste louco? Não faças mais isso, assustaste-me. – Ele sorriu e puxou-me para si.
-Assustei-te.
-Sim. – Ele tocou-me no rosto.
-Gosto de saber que significo algo para ti.
-Ian não comeces .
-Não estou a começar nada. – Eu fui buscar o quit de socorros e tratei da sua ferida, no fim meti um penso.
-Estou como novo. – Disse mexendo o braço.
-Tem cuidado para não arrebentar com os pontos. Tens que prender o braço ao peito para evitar movimentos bruscos. – Procurei algo e vi que há uma echarpe cumprida da Linda, serviu e eu meti ao seu pescoço.
-Tem que ser cor de rosa? – Perguntou, eu olhei seriamente para si.
-Não estás em posição de refilar. – Ele sorriu.
-Obrigado. – Voltamos juntos para fora e comemos cereais com leite, algo que eu não comia há muito tempo atrás.
Mais tarde fui há procura de amoras com a Lyn.
-Tu e o Ian estão juntos? – Perguntou sem eu esperar, levantei a cabeça mas não me virei para si. Porque raio ela fez esta pergunta?
-Porque perguntas isso?
-Porque vos vejo muito tempo juntos. – Não vou comentar a sua afirmação que é verdade. Eu não sei o que dizer ou fazer. O Ian diz gostar de mim mas eu não sei o que sinto. A minha vida já não é o que era, agora é tudo tão diferente e eu ainda não estou psicologicamente bem, eu ainda estou muito confusa com tudo o que tem acontecido.
Peguei no cesto com as amoras e voltei para a colónia.
Deixei o cesto na cozinha, a Sarah veio ter comigo e tocou-me no ombro, ela está a sorrir.
-Vejo bastantes amoras. Tens bom olho. – Eu sorri.
-Eu entrei para a universidade na área da nutrição. – Ela tornou a sorrir.
-Isso é bom. Ias tirar nutricionismo?
-Não mas era uma vertente. Na verdade eu entrei em várias, uma delas era ciências e comunicação e nutricionismo. Fiquei pelas ciências e comunicação. Fiz um ano e ia tirar a especialização de jornalismo. – Ao dizer isto percebi que tenho saudades do que fazia e o meu sonho era o jornalismo e até continuar a ser de certa forma.
-Que giro. Terias dado uma boa jornalista. – Eu sorri e agradeci.
-Obrigada.
-Eu acredito na minha mãe. – Olhei e vi o Ian, sorrimos e ele veio para o pé de mim, vimos Sarah a lavar as amoras, o Ian começou a tirar uma e depois outra.
Quando ia tirar a terceira Sarah deu uma leve palmada na sua mão.
-Deixa as amoras. São para fazer uma compota.
-Pronto está bem. – Disse e veio até a mim. Pegou na minha mão e saímos dali.
Fomos para fora da colónia.
-Onde me levas? – Perguntei, eu prometi ao Jordan não me afastar mais, mas como estou com o Ian deduzo que não há problema em afastar-me, não estou sozinha.
-Já vais ver. – Disse.
Fomos dar a uma colina que tem uma vista linda sobre o arvoredo de Texas e ao longe pode-se ver um pouco dos grandes arranha-céus que fica na cidade.
-Descobri isto há três dias. É fantástico, sentei-me aqui a olhar para tudo isto e a imaginar-nos de novo nas nossas casas. Era tão bom. – Sentou-se e ficou a olhar para a cidade, não se vê carros nem radares ou os policias com os seus apitos estridentes e musica pelas ruas.
Também me sentei perto dele e vi como ele guarda tanta tristeza e magoa dentro de si.
Toquei na sua mão com cuidado, peguei e meti-a no meu colo, ele deixou e eu encostei a cabeça no seu ombro.
Senti-o a ver-me pelo canto do olho e a sorrir.
-Eu acredito que um dia vamos voltar ás nossas vidas, eu não perco a esperança e tu também não devias perder. – Os seus dedos acariciaram a palma da minha mão e os seus olhos estão postos em mim.
-Tens razão mas ás vezes é difícil. – Disse-me.
-Eu compreendo. – Levantei a cabeça e olhei-o nos seus olhos. – Eu compreendo mas nós temos que ser fortes. – Voltei a dizer.
-Eu consigo ser forte, por ti. – Disse e aproximou o seu rosto do meu e encostou a testa na minha.
-Ian… - Comecei mas não terminei. Acho que o Ian começa a mexer comigo.
Ele interrompeu-me e declarou-se
-Eu gosto tanto de ti. – Os seus lábios vieram aos meus e ouve beijo.
É calmo e urgente ao mesmo tempo e também víciante. A sua respiração é mais acelerada do que a minha.
-Ian… - Ia falar mas ouvimos um barulho, ficamos assustados e levantamos-nos.
O meu coração disparou, saímos dali com cuidado, vi o Ian a tirar uma navalha do bolso das calças.
-Quem está ai? – Tornamos a ouvir o mesmo barulho. Eu sou capaz de ter um ataque de coração aqui, está disparado e acelerado por causa do susto, o Ian meteu-me atrás de si.
Continuamos a ouvir um barulho mas não vimos nada.
De repente do nada saiu o Ricki, um miúdo de dez anos da nossa colónia, vive numa barraca com os pais.
O Ian arrumou a navalha, o Ricki está a rir-se e é inofensivo, nós respiramos de alivio.
O Ian pegou no miúdo.
-O que fazes aqui? Isto não é para miúdos.
-Mas vocês estão aqui. – Disse Ricki na sua voz de criança.
-Pois mas nós já somos crescidos. – O Ian tem mesmo jeito, acho que ele daria um bom pai.
Voltamos para o pé dos outros.
O resto do dia passou normal, fiquei com o Ian na sua barraca a ver um filme num site online no seu computador portátil.
Já era de noite quando saímos para jantar.
-O que é que vocês estavam a fazer? Não vos vi. – Disse a mãe do Ian, Sarah que está a meter os pratos na mesa.
Eu e ele trocamos um olhar.
-Estávamos na minha barraca a jogar ás cartas. – Disse o Ian, Sarah sorriu apenas e continuo o trabalho, Linda também está a ajudar a mãe, Margret, Sheila e Nancy olham para mim com uma cara demasiado séria. Não percebi bem porquê, elas nunca fizeram isto antes. Não liguei mais e fomos todos para a mesa comer.
Mais tarde o grupo habitual juntou-se ao pé da fogueira do costume.
O Jordan e o Ben falaram.
-Tivemos uma ideia hoje de manha e quisemos partilhar com vocês. Estamos a pensar sair por uns dias há procura de coisas para nos abastecer. Comida enlatada, peixe, carne, gelados e essas coisas. Também roupas para todos, livros, alguns cobertores para o Inverno e mais algumas coisas extras. Espalhem a palavra ao pessoal e façam uma lista de coisas que precisam. – Todos acenaram, o Ben olhou para o Ian.
-Vens?
-Sim, contém comigo eu quero ir. – Respondeu.
-Boa, precisamos de ti. – Disse o Jordan. Estão eles a pensar ir sem mim? Não deixo o meu irmão sozinho, nunca, foi uma promessa que fizemos e também o Ian significa muito para mim. Eu tenho que ir se não eu não fico bem e descansada.
-Eu também vou. – Acrescentei.
O Ben e o Kyle começaram-se a rir.
-Era só o que mais faltava, levar uma rapariga. – Disse o Kyle.
-Qual é o problema? – Perguntei.
-Nem penses. – Disse o Jordan seriamente.
Levantou-se e começou a andar para a nossa barraca, eu fui atrás de si.
-Jordan… - Comecei mas ele interrompeu-me.
-Não, é a minha resposta. Não insistas. – Entramos na barraca.
-Eu vou sim e vou insistir quer queiras ou não. – Ele virou-se para mim com a mão direita no ar, é um vicio seu que ás vezes irrita-me tanto e ele nem imagina o quanto.
-Joan… - Desta vez foi eu quem interrompi a sua palavra.
-Não! Nós prometemos-nos que nunca iramos-nos afastar. Se um vai para um lado o outro vai atrás. Portanto eu só estou a cumprir.
-Isto é diferente, eu volto. – Começou.
-Promessa é promessa. – Eu estou empenhada em cumprir o que prometi.
-Eu sei mas aqui estás salva e protegida, eu não quero que te aconteça nada. – Disse suspirando, ele olha-me com uns olhos preocupados e eu não quero que ele fique. Logo que eu esteja consigo eu estou bem e ele não tem que se preocupar. Estou debaixo da sua vista, logo ele pode me controlar e não me acontecera nada.
-Mas não me vai acontecer. Se eu estiver contigo eu estou bem. – Voltei a insistir. Quando quero consigo ser bem teimosa.
-É melhor não. – Mas ele também não fica atrás, a sua teimosia não fica longe da minha.
-Qual é o mal? No outro dia estive quase a ser violada e estava perto daqui e quem é que me salvou como sempre? Tu.
-Exactamente. Se estiveres aqui com estas pessoas nada te vai acontecer. Se estiveres connosco é mais provável de te magoares, eu vou estar ocupado.  – Torci o nariz com a sua teimosia.
-Mas eu sei cuidar de mim. – Voltei a dizer. Que mais tenho de fazer para ele ceder? Implorar aos seus joelhos?
Ele riu com o que eu disse e olhou-me com desdenho.
-Vê-se. – Disse. O que quer ele dizer? Não fui capaz e disse o que pensei.
-Eu sei cuidar de mim e vou-te provar. – Disse e sai dali para fora furiosa.
A fogueira está quase apagada e as pessoas quase todas já se foram embora para as suas barracas e quartos. Só o Ben e o Ian continuam ali.
-Tu não podes vir connosco. – Disse o Ben. Aproximei-me de si zangada e séria.
-Porquê?
-Porque tu só atrais sarilhos. – Agora é que as “tampas” soltaram-me.
Quem é que ele pensa que é para me dizer uma coisa dessas? Dizer que eu só atraio sarilhos? Que grande parvo ele é, fiquei ainda mais zangada.
-Estúpido! Mas eu vou à mesma. – Sai dali a passos largos, ouvi o Ian a vir atrás de mim.
-Joan espera. – Agarrou no meu braço.
-Larga-me. – Não serviu de nada, ele virou-me para si.
-Primeiro tem calma e depois falamos. – Disse-me, eu respirei fundo e olhei para ele.
-Ele disse que eu só atraio sarilhos. – O Ian pegou no meu rosto e não sei porquê mas fiquei mais calma com o seu toque.
-Não atrais nada e se queres tanto ir quem sou eu para dizer não? – Eu sorri e abracei-me a ele.
-Vais precisar de mim. – Disse-lhe sorrindo contra si. Senti os seus lábios na minha cabeça.
-Eu sei que sim. – Por momentos ficamos assim juntos e depois voltamos para as cabanas.
Programei o despertador para acordar mais cedo e deitei-me a dormir


domingo, 2 de março de 2014

Earth and Oribus: Love and War Capítulo 3

Ian
Ian antes de chegar aquela colónia, estudava numa universidade, era um rapaz calmo e um pouco metido consigo. Com toda aquela guerra, ele fugiu com a família e a irmã para uma colónia.
No princípio não foi fácil para si adaptar-se a um meio totalmente diferente daquele que ele vivia. Ele já não tem um quarto só para si, uma casa de banho e todas as regalias que tinha. Agora ele tem que dividir tudo com outras pessoas o que não foi fácil para si.
Ian é uma boa pessoa, calmo, querido e já não é tão apático como era, ele aprendeu a reagir mais depressa.
Ian tem 25 anos, é alto, tem cabelos escuros e uns olhos azuis claros que fazem qualquer rapariga suspirar por si.
Há três raparigas na colónia que gostam dele, quando elas o vêem  sorriem, dizem olá e fazem-lhe olhinhos.
O Ian gosta e sente a sua auto-estima mais elevada mas a rapariga que ele gosta não olha para ele.
Iam chegou ali nos fins do ano 2071 e em 2073 conheceu uma rapariga que ali chegou. Ela é morena, os seus cabelos são castanhos escuros com umas madeixas, os olhos são castanhos, tem 1.60 e tem um corpo robusto e curvilíneo, é uma rapariga com um grande coração, um belo e contagiante sorriso, é meiga, querida e gosta de ajudar os outros.
Ela chegou com o irmão há colónia, ele ficou logo amigo de Jordan e agora são melhores amigos e a sua irmã Joana é o amor da sua vida.
Joana ficou amiga de Linda que é sua irmã, Ian também é amigo de Joana e gosta da sua amizade mas gosta dela e não consegue a tirar da cabeça.
Ian passou um susto quando pensava que ela estava a ser raptada ou violada. Ele foi com o Ben, Kyle e Jordan atrás dos rufias, graças a Deus que ficou tudo bem e Joan voltou são e salva.
Levaram-na para a sua barraca, Linda foi ter com ela e mais tarde saiu, foi ter há zona da cozinha. Ian viu a irmã a aproximar-se com uma caneca a dizer: “I love New York”.
-Como é que ela ficou? – Perguntou ele. Linda olhou para o irmão com um pequeno sorriso, ela sabe que o irmão gosta da sua amiga e não foi preciso Ian dizer-lhe, Linda conhece o seu irmão muito bem.
-Ela está mais calma, bebeu o chá e agora ficou a dormir um pouco. – Ele sorriu contente por Joan estar bem.
Mais tarde Linda, Sarah (sua mãe), as três raparigas que gostam de Ian (Lyn, Sheila e Nancy) e a Senhora Margret fizeram o jantar.
O Ian e o Jordan apareceram.
-Cheira bem. – Disse Jordan. Sarah entregou os pratos a Jordan.
-Mete-os na mesa. – Pediu ela. Ian tentou depenicar mas Linda não deixou.
-Não Ian.
-Então porquê? – Linda meteu um pouco de sopa de feijão numa tigela de barro antiga.
-Leva à Joan . Ele deve estar a acordar. – Ele não esperava mas ficou feliz por ter uma desculpa para a poder ver.
Ele sorriu.
-Está bem. – Linda meteu uma colher e Ian levou há cabana de Joan.

Joan
Acordei com um cheirinho bom e uma presença, virei-me para o outro lado e vi o Ian com os seus olhos azuis sobre mim. O seu rosto parece ser de um ursinho bebé, eu sorri e sentei-me.
-Trazes-me alguma coisa? – Perguntei, ele sorriu e aproximou-se mais de mim.
-Trouxe-te o jantar. – Peguei na tigela pequena que cheira a sopa, cheira a feijão e a carne.
-Obrigada. – Comecei a comer, eu devia estar cheia de fome. Ao comer senti o meu estômago oco a ficar preenchido com esta sopinha quentinha.
Senti os olhos do Ian a olhar para mim atentamente enquanto eu comia.
Comi tudo devagar, senti-me quente e cheia.
-Muito bom e tu não comes? – Perguntei.
-Vou já. – Sorriu, eu também retribui o sorriso.
-É melhor te adiantares antes que fiques sem nada. – Disse-lhe.
-A Linda guarda-me sempre um pouco. – Disse, eu limpei a boca com um papel, ele viu e levou a mão ao canto da minha boca sem eu esperar.
-Estavas suja. – Olhei para ele, os seus olhos estão fixos em mim e muito bonitos.
Sempre achei o Ian bonito e bom demais para mim. Ele é muito bom, tem bom coração, não é egoísta, gosta de ajudar todos, é querido com os mais pequenos, é meu amigo. Ele tem tudo o que uma rapariga precisa neste momento.
A Lyn, Nancy e Sheila gostam dele, ele daria um bom namorado para qualquer uma delas. Para mim não, eu sou só sua amiga e tenho um carinho especial por ele. Não gosto dele com a Lyn mas sinto um frio no estômago quando o vejo, posso ter uma paixoneta ou uma atracção por si mas é só. Se eu quisesse namorar, ele não me iria querer, eu sou sarilhos, ando sempre metida em algo e não sou boa companhia para ninguém.
Ficamos por momentos só a olhar-nos. Ele aproximou-se do meu rosto mas eu afastei-me do seu.
-Que se passa? – Perguntou-me, eu olhei para ele com o rosto afastado.
-O que estavas a fazer? – Perguntei nervosa.
-Est… - Calou-se e baixou a cabeça.
-Ias-me beijar? – Não fui capaz de me conter, as palavras simplesmente simplesmente saíram. Algo no meu fundo me diz que ele me ia beijar.
Ele não esperava tal pergunta vinda de mim e nem eu esperava. Eu aparento ser um pouco tímida e metida comigo mas não sou, em tempos fui mas agora a vida é outra e eu tive que mudar. Agora eu aproveito a vida e vivo o presente sem esperar pelo futuro, antes tinha medo de falar e me defender mas agora não é assim, eu quero viver, tenho que me saber defender apesar do medo ficar sempre.
Ele olhou para mim com o ar surpreendido.
-E… eu… - Tentou falar. Eu fui até ele e peguei nas suas mãos.
-Ian por favor fala. – Ele olhou para mim.
-Não consigo. – Tive pena dele, o Ian é tão boa pessoa, quando o conheci ele era extremamente metido consigo e tímido mas agora está melhor apesar de ainda ser assim. Faz-me lembrar de como eu era antes de ter esta vida.
Apertei as suas mãos nas minhas e falei com uma voz doce e delicada.
-Consegues sim. Ian esta vida já não é como era, não tenhas medo de falar, sé tu mesmo e não penses no que os outros pensam de ti, eles estão mais preocupados consigo do que contigo. – Ian sorriu, os seus dedos vieram para as palmas das minhas mãos.
-Isso ajuda.
-Vive a vida, faz como eu. – Ele riu.
-Isso não, se não ia estar sempre em sarilhos. – Eu sorri, ele tem razão.
-Tu percebeste.
-Sim. – Ouvi o Jordan a entrar.
-A Linda tem uma tigela de sopa Ian. – Disse o Jordan.
O Ian olhou para mim e levantou-se.
-Volto mais tarde. – O Ian saiu e o Jordan veio-se sentar no lugar onde o Ian estava sentado.
-O que estava ele a fazer? – Perguntou-me.
-A fazer-me companhia.  –O Jordan sorriu.
-Muito bem. – Ficamos por momentos em silencio, eu encostei a cabeça no seu ombro.
-Jordan? – Chamei.
-Sim?
-Estás zangado comigo? – Ele tocou-me na cabeça.
-É claro que não, contigo nunca. És tudo o que me resta. – Sorri de felicidade.
-Ainda bem, fico feliz. – Ficamos mais um pouco em silencio. Ele depois falou algo que eu não esperava.
-O Ian engraçou muito contigo. – Levantei a cabeça e olhei para ele.
-O que é que isso tem? – Perguntei desconfiada, Jordan riu por momentos.
-Acho que ele gosta de ti. – Dei um toque no seu braço.
-Não digas isso. – Rimos
Mais tarde sai da barraca, o anoitecer chegou e estão muitas pessoas sentadas ao pé de uma fogueira, eu fui-me juntar a eles, fiquei perto da Linda e da Nancy. Ficamos todos a conversar e o Ian também se juntou a nós.
Era uma da manha quando resolvemos dar a sessão por terminada.
Ia para a minha barraca quando o Ian apareceu com um computador portátil debaixo do braço, olhei admirada.
-Isso é o que eu estou a pensar? – Ele sorriu e respondeu:
-Sim, descobri uma coisa, anda. Eu mostro-te. – Entramos para a barraca. O Jordan já está a dormir no seu canto, o lençol que divide a barraca já se encontra metido.
Fomos para o meu canto, ascendi um pequeno candeeiro, ele ligou o computador.
-Descobri que há por aqui electricidade. Deve ser um posto abandonado, consegui ligar o computador a essa rede. Pode navegar na Internet. Fui ao facebook e descobri milhares de pessoas vivas. Há movimentos na Internet. – Trocamos um sorriso.
-Isso é óptimo. Ian tu és um génio. – Ele pareceu corar.
-Obrigado. – Tivemos no seu facebook e vimos fotografias dele naquela altura em que o planeta ainda não tinha sido invadido pelos oribianos.
-Onde vivias? – Perguntei.
-Boston e tu? – Engoli em seco antes de responder.
-Seattle. – Ele olhou para mim.
-Vivias longe e no entanto estamos tão perto agora. – Disse e aproximou o seu rosto do meu e olhou para os meus lábios. Eu não resisti e fiz o mesmo.
-Pensei que te fosse perder hoje. – Sussurrou junto de mim.
-Eu estou aqui. – Sem eu esperar o Ian beijou-me. Foi um beijo pequeno, eu tive que me afastar.
-Ian nós não podemos.
-Porquê? – Perguntou desiludido.
-Porque tu não gostas de mim. – Respondi.
Ele aproximou-se de mim de novo.
-Quem disse isso? – Perguntou com os seus olhos muito azuis atentos ao meu rosto.
-Eu. – Assim que lhe respondi ele abanou a cabeça.
-Isso é mentira, eu gosto de ti desde o dia que aqui chegaste. – Isto eu não sabia. Será mesmo verdade ou necessidade de ter alguém?
-Ian…
-É verdade. – Pegou no meu rosto e virou-me para si.
-Dá-me uma oportunidade. – Eu tive que abanar a cabeça, ele não esperava e ficou um pouco triste.
-Porquê? – Perguntou com o olhar triste, o que me partiu o coração.
-Porque não quero que nenhum de nós se magoa. Pode-nos acontecer alguma coisa a qualquer momento e eu não quero que tu ou eu sofra. – Desta vez foi ele quem abanou a cabeça.
-Não nos vai acontecer nada. Eu não deixarei, farei de tudo para te proteger. – Disse e abraçou-me com medo de eu escapar, eu deixei-me ficar no seu abraço quentinho.
Não demos por nada e adormecemos juntos.